16/03/2021

Mulheres no Judiciário: Maria Cristina Zucchi fala de sua trajetória

 

Magistrada é a primeira mulher a integrar o OE.

 

A desembargadora Maria Cristina Zucchi tinha o sonho de ser pianista. Aos 17 anos, viu-se na primeira encruzilhada da vida: embarcar para os Estados Unidos, porque ganhou uma bolsa de estudos para estudar música, ou prestar o vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. A decisão já se sabe qual foi. “Toco piano até hoje, mas é um complemento na minha vida”, diz ela. A primeira mulher na história do Judiciário paulista a integrar o Órgão Especial relata fatos de sua carreira, desde o início na advocacia até a atualidade. Conheça um pouco de sua história.

Maria Cristina Zucchi se formou em 1971 e começou a carreira jurídica como advogada. Cristina Zucchi militou na advocacia por mais de 20 anos e afirma ter muito orgulho da carteira de clientes que amealhou durante todo o período. “Não senti discriminação, mas o caminho por vezes foi muito mais difícil por eu ser mulher”, confessa. A magistrada via no papel submisso da mulher de sua geração, relegada às tarefas do lar, uma injustiça a ser reparada. “Nunca me conformei muito com isto, não em termos de rebeldia ou revolta, mas via nisso algo desigual e, portanto, errado.” Ela se lembra de seus primeiros anos na segunda instância: “éramos apenas seis mulheres em meio a 360 desembargadores e foi assim por muitos anos”, conta. “Mesmo assim, nunca senti discriminação por parte dos colegas, que sempre foram muito solícitos e cordiais.”

Um dos grandes desafios da carreira da magistrada foi trabalhar com os meios alternativos de solução de conflitos, matéria que conheceu no curso de mestrado que fez nos Estados Unidos, em 1995, e, até então, totalmente desconhecida no Brasil. Cristina Zucchi se apaixonou pelo tema e se dispôs a trazer a metodologia para a cultura brasileira. Na Escola Paulista da Magistratura, quando ainda advogada, desenvolveu os primeiros cursos de capacitação de meios alternativos de solução de conflitos por cerca de 5 ou 6 anos. Também participou da criação do primeiro curso de pós-graduação em meios alternativos de solução de conflitos da Escola, que também foi o primeiro do país.
Em 2000, Maria Cristina Zucchi foi convidada pelo então dirigente da Ordem dos Advogados do Brasil a concorrer a uma vaga no Poder Judiciário pelo 5º Constitucional, na classe Advogado e, em agosto de 2001 integrou o 2º Tribunal de Alçada Civil, onde, na 10ª Câmara, foi revisora da desembargadora Rosa Maria de Andrade Nery. “Abracei a magistratura com muito orgulho, muita alegria e me dedicando com muita seriedade.”

Em 2008, foi convocada para substituir um integrante do Órgão Especial. Foi então que vislumbrou um novo caminho na sua carreira: trabalhar com controle de constitucionalidade. “É uma matéria que estudei muito e com que sonhava poder trabalhar. Então, a partir de 2012, comecei a concorrer ao Órgão Especial.” A paixão pelo tema era tamanha que ela seguiu concorrendo e em 2018 foi eleita. “Tenho uma imensa alegria de atuar no OE, principalmente em nome de todas as minhas amigas que estão no TJSP, a quem quero muito bem e represento com muito orgulho e responsabilidade nessa minha atuação.”

 

Legado

Sobre a atuação das mulheres na Magistratura, Cristina Zucchi não nega o esforço e dedicação que a carreira exige, mas afirma que qualquer obstáculo é transponível com a força inerente à mulher. “Temos diante de nós uma carreira muito espinhosa, abarrotada de trabalho, de serviço, marcada por uma responsabilidade enorme que exige uma dedicação extraordinária e, sabemos, acumulamos função de dona da casa, esteio da família, apoio dos filhos”, ressalta. “Gostaria de deixar como legado que a mulher, apesar desse acúmulo de funções e de seu papel na sociedade, que sempre se destacou pela sensibilidade e dificuldade de galgar os espaços profissionais, deve encontrar em seu ideal muita força, muita firmeza, saber o que quer e fazer de sua carreira uma oportunidade para ser um grande ser humano com muita justiça no coração.” Ela deixa um recado às mulheres: “Cresçam com os ideais da ética, do respeito, da formação cultural, se posicionando, sabendo o que quer e com uma finalidade para seu caminho. Busque esses ideais em tudo que fizer, com muita garra e muito empenho e ocupando seu lugar com honra e firmeza. Impossível que, com a benção de Deus, você, nessa busca, não consiga se realizar.”

 

 

 

Ações promovidas pelo TJSP na semana do Dia Internacional da Mulher

 

Na semana de 7 a 13 de março, o TJSP promoveu ações para celebrar o Dia Internacional da Mulher:

 

Projeto #Rompa – Lançado no dia 8, com transmissão ao vivo pelo Youtube do TJSP. A nova campanha do Tribunal tem como objetivo estimular que vítimas de violência de gênero denunciem e procurem apoio para romper relacionamentos abusivos neste que é o 5º país no qual mais se mata mulheres no mundo (de acordo com a ONU). Criada pelo TJSP, em parceria com a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), a campanha também conta com o apoio das empresas e concessionárias ligadas à Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) e está aberta a novos apoiadores. O hotsite do projeto – www.tjsp.jus.br/rompa  tem diversos materiais que podem auxiliar as vítimas ou pessoas que queiram ajudar. A cartilha #Rompa tem orientações sobre os tipos de violência, como identificá-los e como agir. O “Painel da Proteção” mostra o histórico de medidas protetivas concedidas nos últimos dois anos no Estado (atualizado mensalmente). Há, ainda, os contatos dos canais de atendimento e, também, notícias sobre o tema. Além disso, o projeto traz o Prêmio #Rompa para dar visibilidade a iniciativas de combate à violência de gênero. Mais informações sobre a premiação estão no site da campanha.

 

Série de vídeos em homenagem às mulheres – Com o intuito de homenagear as mais de 22,6 mil profissionais que atuam no TJSP em todo o Estado, o Tribunal levou ao ar uma série de vídeos curtos, com cerca de um minuto cada, em que magistradas e servidoras do TJSP compartilham fatos e histórias de suas trajetórias na Corte paulista. Os vídeos trazem as desembargadoras Maria Cristina Zucchi e Maria de Lourdes Rachid Vaz de Almeida; as juízas Deborah Ciocci, Elizabeth Ashikawa e Joanna Terra; a secretária da Presidência, Cláudia Braccio Franco Martins; e as servidoras Rosangela Santos e Silvia Hanai. Os vídeos estão disponíveis no canal oficial do TJSP no YouTube.

 

Visita monitorada virtual ao Palácio da Justiça “Especial Dia da Mulher” – Foram duas edições especiais voltadas para o público interno em que, além de serem apresentados à história e à arquitetura da sede do Poder Judiciário paulista, os participantes assistiram à exibição de um vídeo em homenagem ao Dia da Mulher, edição de 17 minutos, com um resumo da história das mulheres no Judiciário nacional e depoimentos de magistradas e servidoras em homenagem às mulheres que atuam no TJSP. A visita contou com a participação de cerca de 40 magistrados e mais de 400 servidores.

Fonte: TJSP

 

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